Documentos falsos impulsam validação automática contra fraudes no Brasil

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Com quase 7 milhões de tentativas em um único semestre e documentos falsos cada vez mais convincentes, a validação automática vira camada de segurança em contratações, matrículas e cadastros

Uma tentativa de fraude a cada 2,3 segundos. Foi nesse ritmo que o Brasil registrou 6,9 milhões de tentativas no primeiro semestre de 2025, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, um recorde histórico e um crescimento de 29,5% sobre o mesmo período do ano anterior. Por trás de boa parte desses ataques está um item que qualquer empresa recebe todos os dias: o documento. RGs adulterados, comprovantes de renda editados, certidões forjadas e contratos com dados inconsistentes chegam misturados à papelada legítima de clientes, fornecedores e candidatos, e a conferência manual raramente consegue separá-los.

O problema ganhou uma camada nova com a inteligência artificial generativa. O Identity Fraud Report 2025-2026, da empresa de verificação Sumsub, elaborado a partir da análise de mais de 4 milhões de tentativas de fraude, aponta que documentos falsificados ou alterados respondem por metade das tentativas identificadas globalmente, e que 1 em cada 50 documentos falsos detectados em 2025 já havia sido inteiramente gerado por IA. No Brasil, o mesmo levantamento registrou alta de 126% no uso de deepfakes e identidades sintéticas entre 2024 e 2025, e a fatia de ataques classificados como sofisticados, que combinam várias camadas de manipulação, saltou de 10% para 28% no mundo.

A resposta veio da mesma tecnologia

Se a IA barateou a falsificação, ela também está do outro lado do balcão. Empresas brasileiras vêm adotando plataformas de validação automática de documentos, como a desenvolvida pela Dynadok, startup nacional que combina modelos de linguagem, OCR e visão computacional para identificar o tipo de documento, extrair os dados, aplicar regras de conformidade e apontar em segundos o que precisa de revisão humana.

Nesse tipo de sistema, a checagem de segurança deixa de depender do olho treinado do analista. A camada de antifraude documental cruza informações entre arquivos do mesmo processo, verifica a consistência dos dados e sinaliza indícios de adulteração que costumam passar despercebidos numa conferência apressada, como divergências sutis entre o comprovante de renda e o documento de identificação de um mesmo cadastro.

Onde o risco mora

O alcance do problema vai muito além dos bancos, que concentraram 53,7% dos ataques no levantamento da Serasa Experian. Instituições de ensino recebem milhares de documentos a cada processo de matrícula e bolsa de estudo. Construtoras e indústrias precisam conferir a documentação trabalhista e de segurança de terceirizados antes de liberar o acesso às obras e plantas. Imobiliárias, operadoras de saúde e escritórios analisam comprovantes e certidões diariamente. Em todos esses fluxos, um documento falso aprovado vira prejuízo financeiro, passivo jurídico ou risco de conformidade.

A diferença de desempenho entre os dois modelos de conferência é o argumento central do setor. Em um comparativo entre a automação e a validação manual publicado pela Dynadok, a empresa estima redução de até 95% no tempo gasto com a checagem, além da queda de erros humanos em tarefas repetitivas, justamente o ponto que os fraudadores exploram: analistas cansados, prazos apertados e pilhas de arquivos parecidos.

Outro fator que acelerou a adoção é a integração. Em vez de substituir os sistemas que a empresa já usa, as plataformas modernas se conectam a eles. A API de validação de documentos da startup, por exemplo, permite que ERPs, CRMs e portais próprios enviem os arquivos para análise e recebam o resultado da conferência sem que o usuário perceba a troca de bastidores.

O custo de não fazer nada

Para o empresário que ainda trata a conferência de documentos como burocracia inevitável, os números sugerem revisão de rota. Além do risco de fraude, a operação manual tem custo direto: equipes dedicadas a olhar papel, horas improdutivas e processos que não escalam no ritmo do negócio. Quem quiser dimensionar o próprio caso pode usar a calculadora de economia da Dynadok, ferramenta gratuita que estima quanto a validação manual consome do caixa a partir de três dados da operação.

O consenso entre os especialistas em segurança é que a corrida entre falsificadores e verificadores não terá fim, mas mudou de natureza. Do lado do ataque, a IA generativa produz documentos falsos em escala e com qualidade crescente. Do lado da defesa, a mesma tecnologia confere, cruza e audita em segundos o que uma equipe levaria dias para revisar. No meio, ficam as empresas que ainda decidem no olho, e são exatamente elas que os números recordes de fraude estão encontrando primeiro.

 

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